sábado, 17 de setembro de 2016

ESTUDO 68

Manual de Teologia ao alcance de todos.
      Autor: James Montgomery Boice.
      Postado por: Erleu Fernandes da Cruz.
      Capítulo 10 –  GESTÃO DA IGREJA.

      Nossa primeira abordagem sobre as atribuições da Igreja mostrou que o primeiro propósito dessa atribuição é servir o povo de Deus. Tudo mais está relacionado com isso. Quando esse fim não é percebido, os problemas aparecem.
      Em seu livro "One People" [um povo], John Stott uma máxima da Igreja Católica que pode ser verdadeira também em muitas igrejas protestantes de hoje. “Os bispos estão a serviço dos padres, os padres estão serviço dos leigos, os leigos são reis com problema de serviço” (STOTT, 1969, p. 43).
      Muitas igrejas têm essa anomalia, seja por não entenderem os princípios bíblicos de liderança e gestão, seja pelo empenho por parte de alguns, principalmente do clero, para evitá-los. É estranho que seja assim, pois o básico para a vida cristã, seja entre líderes ou cristãos comuns, é o serviço. Ser cristão é ministrar, e isso significa servir.
      Um artigo sobre o ministério dos diáconos de George C. Fuller começa com uma ênfase no serviço diaconal ou ministério de serviço de cada crente em Jesus Cristo. Fuller ressalta que o mundo mede a grandeza porquanto uma determinada pessoa é servida. No mundo dos negócios, as pessoas importantes são as que estão no topo da pirâmide organizacional. Quanto maior é a instituição, mais importante é o seu dirigente. Nos assuntos pessoais, os grandes são aqueles que tem empregados, e quanto maior o número de empregados, mais a pessoa é considerada.
      Jesus veio para reverter tudo isso. Ele virou tudo de cabeça para baixo, fazendo do primeiro o último e do último o primeiro. Aos olhos de Deus, grandeza consiste no número de pessoas que nos servem, mas no número de pessoas que servimos. Quanto maior o número, melhor é o cristão. Fuller escreveu:
      “Se Jesus não tivesse tomado a forma de servo, se o Senhor da glória não tivesse se humilhado a si mesmo e se tornado obediente até a morte, e morte de cruz, os padrões do mundo não teriam sido diferente”.
      Todavia, ao ter feito essas coisas, Jesus mudou o padrão. “Agora, Ele é o diácono, nosso exemplo definitivo, e, consumado essa incumbência de Deus, Ele investiu de poder o Seu povo, Seu Corpo sobre a terra, para cumprir seu ministério” (FULLER, 1978, p. 9).
      Na Igreja de Deus todos são diáconos, pastores ou servos em benefício do mundo e da edificação do Corpo de Cristo.
      UM MINISTÉRIO DE SERVIÇO
      Embora o dever de todos os cristãos seja servir ao mundo e uns aos outros, incumbências especiais de serviço são dadas a alguns capacitados para as tarefas. Para ser específico com relação às atribuições destacadas no Novo Testamento, pastores ou bispos devem exercer o serviço ensinando e incentivando os outros a servirem, e os diáconos dever liderar esse ministério.
      É importante começar com o ministério diaconal. A palavra diácono significa servo, e o papel do servo é visto com nitidez nesse edifício. Pelo que podemos perceber no Novo Testamento, ele foi o primeiro ministério instituído pelos apóstolos da Igreja. Os apóstolos haviam sido escolhidos pelo próprio Jesus e estavam presentes desde o início, entretanto o diaconato foi o primeiro ofício instituído. O registro de implantação desse ministério é encontrado em At 6:1-6.
      “Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano. E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a Palavra de Deus e sirvamos a mesa. Escolhei, pois, irmãos, entre voz sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e sabedoria, aos quais constituamos sobre esse importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra. E esse parecer contentou toda a multidão, e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, prosélito de Antioquia; e os apresentaram ante aos apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos”.
      Embora sucinto, esse relato da escolha dos primeiros diáconos ensina princípios fundamentais de liderança da igreja e contém dados particulares sobre a natureza do ministério diaconal. Há quatro princípios claros.
      Primeiro, deve haver uma divisão de responsabilidades. É verdade que todo cristão deve servir uns aos outros e ao mundo, no entanto ninguém consegue preencher esse requisito de todas as maneiras.
      Nesse caso, os apóstolos não tinham como conciliar a pesada responsabilidade de oração com a atenção aos necessitados da Igreja. Então alguns homens foram escolhidos pelos membros e entre os membros para essa terceira tarefa, para que os apóstolos dedicassem seu tempo à oração e ao ensino.
      Segundo, deve haver uma pluralidade de liderança. A igreja não nomeou só uma pessoa para essa obra, mas várias. De fato, não há referência em parte alguma do Novo testamento da escalação de apenas um ancião ou um diácono em qualquer obra. Tendemos a apontar um líder; a sabedoria de Deus é maior que a nossa nesse ponto. Ao separar várias pessoas para esse trabalho conjunto, a Igreja, por direção de Deus, proporcionou encorajamento entre aqueles que dividiram a obra, assim como diminuiu a chance de aparecer orgulho e tirania na execução da tarefa.
      Terceiro, há uma preocupação com qualificações espirituais. Os apóstolos não pediram aos cristãos para levarem em conta se tinham ou não riquezas pessoais para contribuir do próprio bolso para o ministério de coleta financeira da Igreja. Ninguém perguntou se os membros escolhidos tinham posses, influência ou poder secular. Esses fatores não foram levados em conta na escolha. O que foi pedido que fizessem foi separar homens de boa reputação e cheios do Espírito Santo e de sabedoria.
      Encontramos essa ênfase em todas as passagens bíblicas que falam de qualificações para o ministério da Igreja. As qualificações para presbíteros estão mencionadas em um Timóteo 3:1-7, Tito 1:5-9) e 1 Pedro 5:1-4). No que concerne aos diáconos, os trechos mais importante é em 1Timóteo 3:8-13:
      “Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância, guardando o mistério da fé em uma pura consciência. E também estes sejam primeiramente provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis. Da mesma sorte as mulheres sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fieis em tudo. Os diáconos sejam maridos de uma mulher e governem bem seus filhos e suas próprias casas. Porque os que servirem bem como diáconos adquirirão  para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus.
      Algumas dessas qualificações são a mesma para os bispos ou pastores, mas outras são diferentes. Um bispo ou um pastor, por exemplo, deve ser apto para ensinar (1Tm 3:2; Tt 1:9), o que não dito sobre os diáconos. Por outro lado, não devem ter língua dobre, o que não é mencionado para os bispos e pastores. Uma vez que os diáconos estão envolvidos na vida cotidiana de muitos cristãos, eles devem manter a língua sobre controle até mais do que outros. Do contrário, se multiplicaria as fofocas, os mal-entendidos, os sentimentos de mágoa e ciúme.
      Quarto, os líderes devem ser eleitos pelo povo a que eles servem. Em Atos 6, somos informados como que os cristãos escolheram os primeiros diáconos: sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria. Os diáconos não foram escolhidos pelos apóstolos.
      Além do mais, o povo acertou na escolha. Repare, os que a reclamação anterior sobre a gestão dos fundos da Igreja veio dos cristãos gregos, os helenistas, e os que foram escolhidos eram aparentemente de origem grega, a julgar pelos seus nomes – uma jogada perspicaz, que sem dúvida acalmou as reclamações e promoveu a unidade.
      UM MINISTÉRIO DE MISERICÓRDIA
      A passagem do livro dos Atos não apenas pelo que ela ensina sobre os princípios sadios de liderança na igreja, em particular quando estes se referem aos diáconos. É importante por conter também ensinamentos sobre a natureza do ministério diaconal.
      No entanto, devemos ser cautelosos nesse ponto. Na medida em que trata de uma passagem histórica, que discute um problema específico da Igreja primitiva, ainda que ela ilustre o que indubitavelmente seja uma função diaconal verdadeira, não tem a intenção de tentar limiar o ministério dos diáconos àquela única responsabilidade.
      Começando com esse trecho emblemático do livro de Atos, entretanto levando em conta a natureza da liderança em si mesma e o significado da palavra diácono, podemos informar que há pelo menos três áreas de responsabilidade nesse ministério, que são responsabilidades da função diaconal.
      A primeira é o que Fuller chama de: “ministério da misericórdia” (FULLER, 1978, p. 10) – o serviço aos necessitados, obviamente aos de dentro da igreja, como as viúvas, porém também aos necessitados de fora, até porque essa é uma responsabilidade de todo cristão. Há um divisão entre as atribuições dos diáconos nesse ponto, se a responsabilidade assistencial dos diáconos é só com os membros de sua própria congregação ou com as outras pessoas também.
      O que mostrar aos que acham que sua responsabilidade é somente em relação aos irmãos na fé? É claro que devemos reconhecer que o conceito que essa visão expressa é válido: cristãos devem cuidar de cristãos. Não fazer nem isso seria desgraça.
      Podemos concordar que se os recursos são limitados, a obra da misericórdia deveria começar com aqueles que fazem parte da família espiritual. . Paulo afirma isso quando instrui os gálatas; “Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé (Gl 6:10).
      Contudo, isso não é tudo o que os diáconos têm de fazer. São eles que devem liderar a igreja em seu ministério para o mundo, assim como para os que pertencem à comunidade cristã. Sem dúvida, devem ser estabelecidas prioridades. Nenhum grupo de cristão pode dar conta de todas as carências que se apresentam.
      Todavia, se os diáconos devem mostrar o caminho no serviço da igreja, eles devem mostrar que a compaixão é estimulada pelas necessidades onde quer que elas apareçam, e não apenas entre o nosso povo.
      Aqui temos o exemplo do Senhor Jesus Cristo, que, embora tenha mostrado uma preocupação especial com Israel, não deixou de realizar ações de misericórdia entre a população de gentios da Galileia (Mt 14:13-21; 15:32-39), entre os gentios de Tiro e Sidom (Mc 7:24-30) e também de Decápolis (Lc 8:26-39).
      Se os diáconos ministrarem apenas aos necessitados da igreja local, já será uma coisa boa e, sem dúvida, estimulará outros membros da igreja a arregaçarem as mangas. No entanto, se entenderem a sua atribuição como algo mais amplo, o ministério poderá ser ainda mais eficaz. Fuller escreve:
      “Um quadro de diáconos funcionando da forma adequada dará atenção solidária à vizinhança na qual ele é chamado por Deus para atuar. Ele desenvolverá também um projeto para capacitar outros membros da igreja para esse ministério. Assim como os apóstolos, que mesmo depois da escolha dos sete continuaram a ministrar sobre os necessitados, nós não devemos declinar desse privilégio dado aos cristãos e que só precisa de um direcionamento. Os problemas de nossa cidade precisam de estudo, reflexão e oração.[...] A desaprovação que muitos tem em relação ao posicionamento e a postura de muitas denominações a respeito de diversos assuntos políticos não deve impedir-me de buscar sabedoria para contribuir de forma positiva para a solução dos problemas do mundo quando está em jogo a sobrevivência de seres humanos. No mínimo, o quadro de diáconos deve ter autoridade para patrocinar um fundo de assistência aos famintos, para não ter de depender das ofertas rotineiras da igreja”. (FULLER, 1978, p. 19).
      Além das finanças, os diáconos devem organizar um ministério de visitação aos presos, serviço de apoio aos idosos ou visitas a hospitais e asilos para pobres ou idosos que nunca recebe visita.
      Outra área de responsabilidade é o evangelismo. Isso é conseqüência natural do “ministério da misericórdia”, naquelas oportunidades de compartilhar o evangelho que surgem nas situações de ajuda material. Vários exemplos bíblicos nos levam a acreditar nisso.
      Filipe, um dos diáconos da lista dos sete, é chamado “o evangelista” (At 21:8). Deus o usou para levar o evangelho aos samaritanos (At 8:6) e, a um etíope ligado à nobreza (At 8:26-40). Filipe tinha um dom para evangelizar transcultural.
      Outro diácono da lista, Estêvão, pregou com grande poder diante do Sinédrio judeu, o mesmo grupo que havia condenado Jesus. Sua pregação foi tão verdadeira que eles o mataram. Estêvão acabou sendo o primeiro mártir da Igreja. Não é pouca honra estar na linha sucessória de tamanho exemplo de unção e heroísmo.
      Terceiro. Os diáconos tem obrigação de treinar outras pessoas. A responsabilidade de um pastor é ensinar, como veremos no próximo tópico; todavia, este não é um chamado de todos os cristãos. Todos são chamados para as ações de misericórdia e evangelismo e os diáconos, nestas áreas, tem obrigação não somente de treinar, mas de liderar toda a família de Deus.
      Isso acontece, por exemplo, quando um diácono leva com ele alguém que não é diácono para uma ação de misericórdia e evangelismo. Contudo, é recomendável que isso se dê por meio de um treinamento formal em classe de adultos ou seminários.
      Diáconos que tem o dom de administração podem organizar a igreja para ações mais abrangentes, tais como evangelizar um bairro , ter voz ativa nas decisões políticas da cidade, prestar serviços nas prisões, nos asilos e hospitais.
      Fuller afirma que onde acontece: (1º) os cristãos ficam entusiasmados como nunca; (2º) eles cumprem corretamente o serviço dado por Cristo; (3º) a hipocrisia é removida das orações intercessoras dos cristãos; e (4º) as pessoas são ajudadas. E, sobretudo, estão demonstrando a realidade da presença de Deus em suas vidas.
      Não devemos esquecer que nas parábolas de nosso Senhor Jesus Cristo sobre as ovelhas e os bodes, contada pouco antes de Sua prisão e crucificação, são assinaladas a presença de serviço genuíno prestado aos necessitados, que marca a presença ou ausência de um relacionamento salvador com Ele (Jesus). O que foi feito aos outros foi enxergado e recompensado como um serviço para o próprio Senhor.
      “Então, dirá o Rei aos que estiverem a sua direita: Vinde benditos de meu Pai, possui por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e deste-me de comer; tive sede, e deste-me de beber; era estrangeiro, e hospedaste-me; estava nu, e vestiste-me; adoeci, e visitaste-me; estive na prisão e fostes ver-me. Então, os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E, quando te vimos estrangeiro e te hospedamos?  Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermos ou na prisão e fomos ver-te? E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um desses meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”. (Mateus 23:34-40).
      SUPERVISÃO E ENSINO
      Os diáconos, entretanto, não são os únicos separados para servir ao povo de Deus na igreja local. Eles devem liderar no serviço prático e externo. Os bispos e pastores, por sua vez, devem servir pela supervisão da igreja e pelo ministério do ensino. Uma vez que essas pessoas tem a responsabilidade principal da igreja, uma atenção maior deve ser dada às suas qualificações para o ministério.
      Atos 28 é um texto chave. Ele apareceu na metade do relato do último encontro do apóstolo Paulo com os pastores da igreja em Éfeso, com quem havia passado sete anos, antes, em seu ministério. Naquele momento, Paulo estava a caminho de Jerusalém para o que veio a ser sua última estadia na cidade santa, e ele havia chamado os pastores para um último encontro na cidade de Mileto. Ele usou o evento para instruir aqueles homens e para alertá-los sobre as suas responsabilidades, assim como sobre os perigos que viriam. Paulo disse:
      “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue”. (Atos 20:28).
      Esse versículo é importante, principalmente por causa de seu delineamento das suas principais áreas de responsabilidade do pastorado; a supervisão ou liderança espiritual e o ensino.
      Supervisão espiritual é um dos significados de episkopos, traduzido como supervisor, que algumas vezes é traduzido como bispos. O termo aparece em um Timóteo 3:1, onde Paulo começa a listar a qualificação para aqueles que serão eleitos para essa função. “Se alguém deseja o episcopado [bispado], excelente obra deseja”. A mesma palavra aparece em Tito 1:7: “porque convém que o bispo seja irrepreensível”.
      Nessas passagens e em outras, a palavra episkopos é usada como um termo descritivo para pastor e, portanto, é para ser considerada como um sinônimo de pastor. Ou seja, bispo não era necessariamente um cargo mais alto da Igreja de Jesus Cristo que teria autoridade sobre o clero local, porém, em vez disso, uma função específica do ofício de pastor, que é a supervisão espiritual.
      A função de supervisão é derivada da própria palavra episkopos. Bispo, por sua vez, é uma simples pronúncia anglicana do termo em grego, contudo a palavra em si significa protetor. Epi, o prefixo, significa sobre. Skopos é protetor. Logo episkopos refere-se a alguém que está exercendo/supervisão sobre outras pessoas. Um pastor tem responsabilidades  de proteção e supervisão. Os pastores devem preocupar-se com o bem-estar dos outros.
      O termo episkopos aparece muitas vezes no contexto da imagem pastoral. A função de um pastor espiritual é compatível à de um pastor de ovelhas.
      Em Atos 20:28 Paulo se refere à igreja como um rebanho e relembra aos pastores de Éfeso que eles tem a responsabilidade de alimentá-los. De forma semelhante, Pedro instruiu aos pastores de uma igreja para a qual ele escreveu:
      “Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; não por torpe ganância mas de ânimo pronto, nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando aparecer o Santo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória”. (1Pedro 5:1-4).
      Os pastores devem levar a sério a admoestação de Pedro, e quando o  fizerem, ela os levará a envolver-se com profundidade na vida daqueles que estão sobre seus cuidados. Eles devem preocupar-se com a saúde espiritual e com o crescimento dessas pessoas. E, às vezes, também devem preocupar-se com a disciplina do rebanho.
      Nas igrejas as quais a função de pastor é levada a sério, o corpo de pastores é escolhido para formar uma corte na igreja.
      No entanto, as dificuldades nas igrejas é que as pessoas que presidem sobre outras muitas vezes acreditam que isso é tudo o que pastores devem fazer.
      Com Lawrence R. Eyres assimila num estudo precioso sobre as responsabilidades dos pastores:
      “Eles esquecem que os pastores, devem também ministrar os santos; eles devem andar, e às vezes, correr para alcançar as ovelhas desgarradas de Cristo; e eles devem ajoelhar diariamente para apresentar seu rebanho diante do trono da graça em oração”! (EYRES, 1975, p. 14).
      A segunda responsabilidade dos pastores é ensinar. A estrutura de Atos 20:28 deixa claro que o ministério de supervisão é para ser exercido principalmente por meio do ensino. Em outras palavras, a direção que foi dada a eles não foi uma forma de autocracia de autoridade absoluta pela qual os pastores se sentam e decidem o que deve ser feito, quem deve fazer, e quem não deve fazer, é uma supervisão na qual a autoridade esta colocada sobre as bases do ensino da Palavra de Deus.
      Isso significa que todos os pastores devem estar preparados para ensinar publicamente a grandes platéias. Todavia, todos os pastores devem conhecer as Escrituras e ter capacidade de trazê-las à luz para atuar sobre qualquer problema encontrado na vida daqueles que estão sobre os seus cuidados.
      Nos dias de Seu ministério terreno, Jesus exerceu Sua autoridade dessa forma. Como o autor escreveu sobre isso:
      “Ele não se limitou a uma sala de aula; ao contrário, ensinava em qualquer lugar onde via pessoas necessitadas – nos campos, nas casas, nas sinagogas, junto a um poço, nos terraços, num barco no meio do lago, no alto de um monte, e até pregado numa cruz entre dois criminosos. Algumas vezes, as pessoas iam a Ele; outras Ele ia até as pessoas. Às vezes, Ele pregava e ensinava, e às vezes fazia perguntas. Gostava muito de contar histórias. Ele transformava as Suas palavras em imagens ao mencionar as aves no céu, a água do poço, o semeador no campo ou a lida do povo. Ele nunca era etereotipado, nem bruto, nem usa palavras frívolas. Ele sempre ia direto as necessidades, envolvendo Seus ouvintes intelectual e emocionalmente, penetrando sempre nos recônditos mais profundos da personalidade deles. Jesus era sem dúvida o grande Mestre (GETZ, 1974, p. 124).
      O modelo de ensino de Jesus pode ser um exemplo para todos os pastores que desejarem cumprir esse importante aspecto de seu chamado.
      QUALIDADES ESPIRITUAIS
      As qualificações para pastores são dadas em dois trechos das cartas pastorais de Paulo. O primeiro é 1 Tm 3:1-7 e contém 14 desses requisitos. O segundo trecho, Tito 1:5-9, inclui a maioria desses e mais seis. Ao todo, são 26 itens. Eles podem ser considerados nas seguintes  categorias:
      1ª – Um pastor deve ser irrepreensível (1 Tm 3:2; Tt 1:6,7). Esse item vem em primeiro lugar em ambas as listas de qualificações de Paulo e com certeza merece permanecer onde está, tendo em vista que sintetiza tudo o que vem depois. Isso tem a ver com a reputação de uma pessoa. Porque os pastores tem o posto de maior responsabilidade na Igreja e representam-na perante o mundo, eles devem ser isentos de reprovações e de culpa, para que a causa de Cristo não seja difamada.
      2ª – O pastor deve ser marido de uma só mulher (um Tm 3:2; Tt 1:6) e ter seus filhos em sujestão (1Tm 3:4; Tt 1:6). Foi necessário estabelecer a primeira dessas qualificações numa cultura em que os homens com freqüência tinha mais de uma esposa ou várias amantes. Contudo, ela está também vinculada a uma educação correta dos filhos.
      Paulo estava afirmando que os pastores devem ser líder íntegros e bons governantes de sua própria casa, caso desejam ser considerados aptos para o ministério e despenseiros da casa de Deus. O apóstolo disse: “porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidados com a casa de Deus”? (1Tm 3:5).
      Em minha opinião, deduz-se dessa segunda citação que os pastores na igreja deveriam ser homens, e não mulheres. Isso não é necessariamente verdadeiro a respeito dos diáconos, embora a qualificação “marido de uma som mulher” seja aplicada também à eles. A frase mostra que Paulo pensava nos diáconos como homens quando ele escreveu esse requisito, entretanto não é a mesma coisa que afirmar que uma mulher não pode ser diaconisa. Febe, mencionada em Romanos 16:1 como diákonov, pode ser exemplo de mulher diaconisa.
      Por outro lado, embora não diga que uma mulher seja uma diaconisa, ele pode declarar que uma mulher não pode exercer a função de pastor. Por exemplo, em 1Tm 2:12, as duas responsabilidades principais de um pastor são mencionadas especificamente: “Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de  autoridade sobre o marido”.
      3ª – Um pastor deve ser sóbrio (1Tm 3:2; Tt 1:8, sensível! (1Tm 3:2; Tt 1:8 e honesto (1Tm 3:2). Essas palavras podem ser tomadas como uma expressão se uma atitude madura e equilibrada diante do mundo.
      4ª – Um pastor deve ser hospitaleiro (1Tm 3:2; Tt 1:8). Hospitalidade não costuma ser leva em conta como qualidade para uma liderança da igreja; no entanto, exatamente por essa razão, devemos dar uma atenção especial a ela. A hospitalidade é uma virtude enfatizada por todo o Novo Testamento. “Segui a hospitalidade” Rm 12:3). “Nos vos esqueçais da hospitalidade” (Hb 13:2). “Sendo hospitaleiro uns aos outros, sem murmurações” (1Pe 4:9).
      Devemos observar também a severidade com a qual a falta de hospitalidade é julgada. Diófretes, sobre quem o apóstolo João escreveu, é um exemplo. Foi dito dele “que não recebe os irmãos, e impede os que querem recebê-los, e os lança fora da igreja” (3João 1:10). João considerou as suas obras más e prometeu torná-las públicas quando lá estivesse.
      Hospitalidade não é simplesmente abrir a porta de casa para receber quem precisa. O que importa de verdade é a atitude do coração. Como escrevei Eyres:
      “A pessoa hospitaleira é alguém cujo coração está aberto sem hesitação para o solitário, o rejeitado, o estranho [...] Hospitalidade é uma questão de fé, a fé sem a qual ninguém pode agradar a Deus” (EYRES, 1975, p. 30).
      5ª – Um pastor deve ser apto para ensinar (1Tm 3:2). Essas exigência é feita aos pastores, mas não aos diáconos; ela é indispensável para o ministério pastoral, e foi discutida antes neste capítulo.
      6ª – Um pastor deve ser marcado com as seguintes características: Não dado ao vinho (cervejas, bebidas alcoólicas diversas), não espancador (dos filhos ou da esposa), não cobiçoso de torpe ganância (por dinheiro e bens), mas moderado, não contencioso, não avarento (1Tm 3:3). Não soberbo e nem iracundo (Tt 1:7).
      Esses oito itens estão relacionados e tem a ver com a maneira como uma pessoa se relaciona com as outras. Líderes da igreja não devem ter falha de caráter que possam manchar ou escandalizar seu próximo e causar problema à Igreja. Deve ser dito que essas são as características que corresponde de forma negativa aos traços considerados positivos no item 3.
     Uma afirmação semelhantes do que é exigido nessa área é a lista de Paulo sobre o fruto do Espírito contida em Gálatas 5:22,23: (ARA). “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”.
      7ª – Um pastor não deve ser um neófito (muito novo) (1Tm 3:6). Isso se refere à maturidade espiritual, não à idade. O encarregado de liderar a igreja não dever ser um novato ou novo convertido. Isso para ser óbvio. No entanto, dificilmente uma recomendação dessa lista pode ser mais necessária para a igreja nos dias de hoje. Contudo, parece que estamos no caminho inverso. Em vez de esperarmos os novos convertidos amadurecerem, nossa tendência é mandá-los para a linha de frente, dando a eles responsabilidade, acreditando que isso os fará crescer. Todavia, Paulo disse que isso pode fazer os novatos na fé se ensoberbecerem e caírem nos laços do diabo.
      Os cristãos precisam ser provados para crescer na fé, e isso leva tempo. Gene Getz escreveu a respeito:
      “A preocupação de Paulo é que um novo convertido não tenha tido tempo as atitudes de desenvolver as virtudes de um homem de Deus maduro. Ele pode ter experiências nos negócios, pode ser muito capacitado em alguma profissão. Ou pode ser um músico, artista ou esportista de grande talento. Mas não teve a oportunidade ainda, nem tempo, para cultivar uma boa reputação, de ser testado moral e eticamente”.(GUETZ, 1974, p. 210).
      Não há benefício algum, tanto para o novo cristão como para a Igreja, em colocar um iniciante na fé num lugar de visibilidade como o pastorado.
      8ª – Um pastor deve ter bom testemunho dos que estão de fora (1Tm 3:7). Algumas vezes, os cristãos olham para os chamados ímpios com tanto desprezo que até consideram suas opiniões sem importância. Contudo, os não cristãos, com certeza, são capazes de enxergar quando a conduta está aquém do que ele professa. Uma vez que os pastores representam a igreja diante do mundo, eles devem ser irrepreensíveis. Muitas passagens do Novo Testamento falam dessa meta em relação aos cristãos em geral (1Co 10:31-33; Cl 4:5,6; 1Ts 4:11,12; 1Pe2:12).
      9ª – Um pastor deve ser: amigo do bem, moderado, justo, santo e temperante (Tt 1:8). Cada um desses termos é autoexplicativo, e alguns parecem falar de quase a mesma coisa que nos mostra 1 Timóteo 3:1-7. Dois termos, moderados e temperantes, tem a ver com domínio próprio. Ser justo se refere à justiça nas questões de relacionamentos. Ser santo se refere à consagração e à piedade. Essas virtudes são desenvolvidas num caminhar próximo a Deus.
      10ª – Por fim, “um pastor deve reter firme a fiel palavra que é conforme a doutrina, para que eu seja poderoso, tanto para admoestar com sã doutrina tanto para convencer os contradizentes (Tt 1:9). Capacidade para defender com rapidez a verdade de Deus quando essa estiver sob fogo cruzado é fundamental. Um pastor não deve ser abalado por teorias seculares conflitantes ou por desvios da verdade dentro da igreja. Esses ventos de impiedade sopram em todas as eras e aparecerão com mais freqüência e intensidade à medida que se aproxima a volta de Jesus. Paulo escreveu:
      “Sabe, porém, isto: Que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigo dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela”. 2 Tm 3:1-5).
      Paulo alertou Timóteo para que evitasse essas pessoas e para que permanecesse naquilo que aprendeu em Cristo Jesus.
      Quando eu e os pastores da Décima Igreja Presbiteriana na Filadélfia, a minha igreja, encontramo-nos para rever essas qualificações, achamos a lista branda. Todavia, também achamos estimulante. Percebemos que Paulo não forneceu essas qualificações para desencorajar ninguém para o ministério pastoral – ao contrário, ele incentivou os cristãos a desejarem esse ministério (1Timóteo 3:1).
      Afinal, por mais paradoxal que pareça, um bom líder é alguém que é um seguidor, um seguidor de Cristo. Quando veio a esta terra, Jesus disse: “Porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele me enviou” (João 6:38). E Ele disse sobre o Pai: “Eu faço sempre o que lhe agrada” (João 8:29). Ser um líder é ser um seguidor próximo do Senhor Jesus Cristo, que, por sua vez, segue o Pai.
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      Senhor, vos damos graças por nos ter sustentado até esta data, mantendo nossas vidas em nossos corpos. Muito obrigado, Senhor, por cada ano que contamos em nossa caminhada de vida. Não deixe; vos pedimos, que deixemos esse planeta Terra tão bonito, antes que sejamos dignos e merecedores de estar nos céus junto com os seus escolhidos. Nós vos oramos em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.
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      Completamos, com essa publicação a 68ª postagem desta nossa caminhada estudando sobre a Teologia da Igreja. Nossa próxima publicação será a 69 é:
      A VIDA NO CORPO.

      

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

QUARENTA DIAS

QUARENTA DIAS
"E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e naqueles dias não comeu coisa alguma; e, terminados eles, teve fome. E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão. E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus." Lucas 4:2-4

Pensamento: Jesus esteve 40 dias no deserto, e o tempo todo foi tentado pelo diabo, mas somente quando teve fome, o diabo deu a sua maior investida. O inimigo é assim, ele espera a hora certa para atacar, geralmente no momento de maior fraqueza da nossa carne. Sua estratégia é basicamente desafiar nossa capacidade, nos incentivando a usar os recursos que temos disponíveis no momento para uma solução imediata dos problemas... No entanto, sua intenção é desviar nosso olhar das conseqüências, seu objetivo é nos conduzir ao erro mostrando um caminho aparentemente mais curto, mais que no final nos desviará do propósito do Senhor.

Oração: Pai querido, dá-me olhos atentos e vigilantes para as armadilhas do inimigo, ajuda-me a identificar as estratégias do inimigo, para que eu não venha me desviar dos caminhos do Senhor. Ensina-me a vencer as tentações, através da oração e do jejum que me conduzem a santificação. Derrama seu Espírito sobre mim, para que eu esteja cada dia mais afastado das obras da carne. Eu oro em nome de Jesus. Amém.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

DE TODO O CORAÇÃO.

DE TODO O CORAÇÃO

Provérbios 3:5 - Confia no SENHOR de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. 

o mais o mundo nos desaponta e nos engana, mais acreditamos na postura do “confiar desconfiando”. Dizem seus seguidores: “confiar completamente significa, quando somos enganados, um prejuízo total – ao passo que, quando não apostamos todas as fichas, no caso de perdermos, o prejuízo não nos rouba tudo”. A Bíblia, porém, diz que esta atitude não funciona, quando se trata de depender de Deus: “Confie no Senhor de todo o coração e não se apoie na sua própria inteligência” (Provérbios 3:5).

Na área da saúde, física ou espiritual, tomar um remédio só pela metade, ao invés de causar melhoras, pode desorientar os processos de reação do organismo: a estricnina, por exemplo, até uma certa dose, é um bom remédio para o coração – em uma dose mais elevada, porém, constitui poderoso veneno. Confiar, então, nos reduzidos e não especializados conhecimentos do indivíduo enfermo, passa a ser uma receita para a própria destruição.

Jesus Cristo nos afirmou que Ele veio ao mundo para curar os doentes (Lucas 5:31-32). E Filipe, que já houvera provado do poder restaurador de Jesus, quando perguntado pelo etíope sobre o batismo que o tornaria também discípulo, testemunhou – “Nada o impede, se o senhor crê de todo o coração” (Atos 8:37). Confiar no Senhor de todo o coração é o compromisso definitivo. É o salto da fé.
OREMOS.
Senhor, que eu possa confiar mais em vós e não viver a minha fé pela metade. Que neste meu viver eu possa contar com a dose necessária de sua presença em minha vida. Eu vos oro em nome de Jesus, Amem.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

LIBERTOS DA IDOLATRIA

terça-feira, 13 de setembro de 2016

CRESCEI EM TUDO

CRESCEI EM TUDO.
"Ora, assim como abundais em tudo: em fé, em palavra, em ciência, em todo o zelo, no vosso amor para conosco, vede que também nesta graça abundeis. Não digo isto como quem manda, mas para provar, mediante o zelo de outros, a sinceridade de vosso amor." 2 Coríntios 8:7-8

Pensamento: Neste texto Paulo esta dizendo a igreja que mesmo tendo grandes experiências, ainda assim há mais, há uma fonte inesgotável. Se alcançarmos algo, ainda assim há mais. Deus quer que experimentemos suas fontes inesgotáveis e nelas nos saciemos. O desejo de Deus vai além da salvação, Ele quer entremos nesse processo de busca pelo mais que há nEle. Nada do que acontece de grande não teve origem em pequenos atos. Quando fazemos o que podemos fazer, Ele acrescenta em nós o que não podemos fazer sem Ele.

Oração: Pai querido, derrama da Sua graça sobre minha vida, fazendo transbordar este vaso, para que eu possa através do meu testemunho de vida, atrair outras pessoas e falar do amor de Jesus. Obrigado Senhor pela sinceridade do Seu amor. Eu oro em nome de Jesus. Amém.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

DAI-LHE VÓS DE COMER.

DAI-LHES VÓS DE COMER.
"Mas ele lhes disse: Dai-lhes vós de comer. E eles disseram: Não temos senão cinco pães e dois peixes, salvo se nós próprios formos comprar comida para todo este povo." Lucas 9:13

Pensamento: Este versículo fala do milagre mais conhecido de Jesus, o da multiplicação de pães e peixes. Interessante a maneira como Jesus fala a seus discípulos para servir a multidão, mesmo sabendo que não teriam comida para todos. Mas nessa hora Jesus queria nos ensinar que ao colocarmos diante dEle nossos recursos Ele é capaz de fazer um milagre. Por isso diante de um desafio, devemos fazer tudo aquilo que está ao nosso alcance, reconhecer nossa limitação e confessar ao Senhor que dependemos de Sua graça, para que então Ele mova o sobrenatural e o milagre aconteça.

Oração: Pai querido, obrigado porque o Senhor é um Deus de milagres, e em meio aos milagres Sua glória se manifesta. Quero apresentar meus recursos ao Senhor, e crer na multíplicação. Amém.

domingo, 11 de setembro de 2016

A PRIMEIRA PALAVRA DE JESUS.

A PRIMEIRA PALAVRA DE JESUS
PR. ALEJANDRO BULLÓN

"O texto para esta mensagem encontra-se no evangelho segundo São Lucas 23:33 e 34: "Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali O crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à esquerda. Contudo Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram sortes".

Esta é a primeira das sete últimas palavras que Jesus proferiu na cruz do Calvário. Imaginem comigo a cena: Três cruzes se projetam no horizonte. No meio está o Senhor Jesus; do lado direito uma ladrão e do lado esquerdo outro ladrão. Jesus morreu do jeito que sempre viveu. Veio a este mundo para buscar os pecadores. Viveu entre eles para poder alcançá-los, perdoá-los e transformá-los. E quando chegou a hora de morrer, morreu crucificado entre eles. E você pode vê-Lo aí, na hora da agonia.

Quando uma pessoa está para morrer, todos querem ouvir o que ele tem a falar. Jesus pronunciou sete palavras. A primeira, a quarta e a última palavras são orações que Ele dirige a Seu Pai. Ele ora, mantendo comunhão com Aquele de quem veio toda a Sua força para poder viver uma vida vitoriosa nesta terra. Ele começou Seu ministério em oração. E termina Seu ministério também em oração.

Meu amigo, ninguém pode sobreviver vitoriosamente nesta vida se não aprender a viver como Jesus. Dependendo constantemente do Pai, colocando a vida aos pés do Pai, recebendo a força do Pai.

Sabem por que Jesus viveu uma vida vitoriosa nesta Terra? Não porque era Deus. Quando Ele veio a esta Terra Ele fez um pacto com Seu Pai: não usaria Seus poderes divinos sem o consentimento do Pai. Então Ele aprendeu a viver uma vida dependente do Pai. Aí estava o segredo de Sua vitória. Sabe por que nós, às vezes, vivemos vidas derrotadas? Porque não aprendemos a depender do Pai como Jesus fazia.

"Pai" - disse Jesus na hora da morte. Tinha uma coroa de espinhos furando o Seu rosto, mas isso não O impedia de enxergar o amor de Seu Pai. Suas mãos estavam pregadas numa cruz, não podiam mais curar pessoas, mas Ele podia orar. Seus pés não podiam mais andar para alcançar o pecador. Mas isso não O impedia de orar. Seus discípulos O tinham abandonado. Ele não podia mais ensinar-lhes. Mas isso não impedia Jesus de orar.

Ah, queridos, às vezes, quando surgem dificuldades em nossa vida, quando perdemos o emprego ou quando um filho nosso sofre um acidente, o primeiro pensamento que nos assalta é o fato de que talvez Deus nos tenha abandonado. Talvez Deus tenha esquecido de nós. Jesus no meio do sofrimento, da dor, da agonia, da morte, perseguido, caçoado, insultado e sangrando, não permitiu que nada O impedisse de saber que Seu Pai O amava e que olhava para Ele.

Estou falando neste momento para alguém que está desempregado há muito tempo? Você é capaz de enxergar o rosto do Pai apesar de estar passando necessidade? Estou falando neste momento a alguém condenado à morte pela ciência médica? Sua enfermidade não tem mais remédio? Pergunto: Você é capaz de enxergar o rosto de Seu Pai apesar da ciência médica dizer que não há mais remédio para você? Os amigos o rejeitaram? Você foi traído pelas pessoas que mais amava? Todo mundo o abandonou? Sente-se solitário? E apesar disso tudo, é capaz de enxergar o rosto do Pai? Jesus o fez na cruz do Calvário. Sem amigos, abandonado pelos Seus discípulos, odiado pela multidão, castigado pelos soldados, acusado falsamente, crucificado injustamente, ferido, em agonia, era capaz de dizer: Pai, eu não Te vejo; está tudo escuro, mas sei que estás presente. Sei que estás aí. Somos capazes de fazer isto?

Pensemos agora num outro aspecto do texto bíblico. Na hora da agonia Jesus clama a Seu Pai, mas não o faz pedindo ajuda. Se você estivesse condenado à morte por alguma enfermidade, com certeza se ajoelharia para orar e pediria que Deus lhe devolvesse a saúde, não é verdade? Se você estivesse desempregado, oraria a Deus pedindo que lhe desse um novo emprego, não o faria? E se você estivesse na prisão, com certeza pediria que Deus lhe devolvesse a liberdade.

Mas aí estava Jesus cravado numa cruz. Sua primeira palavra podia ter sido: "Pai, tira-me daqui, liberta-me, acalma minha dor". Ou como Pedro quando estava se afundando: "Senhor, salva-me". Mas na hora da agonia Jesus não ora por Ele, ora pelos outros. E não é por Seus amigos ou por Seus familiares ou por cidadãos bons. Sabe por quem ora? Pelos Seus inimigos, por aquele que O esbofeteia, por aquele que prega Suas mãos, por aquele que cospe em Seu rosto, por aquele outro que coloca a coroa de espinhos em Sua fronte. Jesus ora pelos Seus inimigos e pede que Deus lhes perdoe.

Ah, meu amigo, na cruz do Calvário, Jesus vive o que pregou. No sermão do monte, Ele diz: "Perdoai os vossos inimigos". E na cruz Ele vive Sua mensagem. Sai da teologia, da beleza das palavras e entra na realidade do perdão, pratica o que pregou.

Pergunto: Você é capaz de orar pelos seus inimigos? Talvez, se você está vivendo bem, com um bom saldo no banco, com boa saúde, com toda a família unida. Nessas circunstâncias talvez você até se anime a orar pelos seus inimigos. Mas condenado à morte por um câncer, sem um centavo no bolso, com a família feita em pedaços e todo mundo contra você, seria capaz de orar pelos seus inimigos?

Estou falando neste momento a alguém que não é capaz de perdoar alguém que lhe fez mal no passado? Vou mencionar agora porque é necessário perdoar, embora perdoar não seja sempre fácil. Na cruz, Jesus estava sofrendo, o sangue levava Sua vida gota a gota. Abandonado, esquecido pelos amigos, caçoado e insultado pelos inimigos, carregando o pecado de toda a humanidade, Ele experimentava um sofrimento mental, físico e espiritual profundo. E se Ele abrigasse em Seu coração mágoa por aquilo que as pessoas estavam lhe fazendo, o seu sofrimento seria maior. Ao perdoar, Ele não somente estava praticando a teoria de Sua pregação, Ele estava também aliviando a Sua dor. Sabem por quê? Porque o perdão beneficia mais a quem perdoa do que aquele que é perdoado. É isto que você tem que colocar em sua mente. Se por algum motivo não é capaz de perdoar alguém que o traiu, que o machucou, fez algo que marcou terrivelmente sua vida. Se você estiver guardando rancor em seu coração, com certeza não tem paz, vive um inferno cada vez que vê aquela pessoa. Seu espírito se envenena. Você pode estar vivendo um momento feliz, mas quando aparece aquela pessoa, estraga tudo.

Mas você sabia que a outra pessoa não está nem ligando para o que você sente? O único que está sofrendo é você. Então, quando você perdoar, ele não ganha nada, mas você expulsa o veneno de sua vida. O veneno da mágoa não machuca nem um pouquinho seu inimigo, mas perturba a sua vida. O seu coração torna-se um depósito de lixo, porque a mágoa, o ódio, o rancor e o ressentimento, tudo isso é lixo. E quando você consegue olhar para o outro sem sentir mais mágoa, nem rancor, você se liberta. O maior beneficiado pelo perdão é a pessoa que oferece o perdão, não a que o recebe.

Uma família me convidou uma noite para jantar, mas na metade da ceia o pai me levou a um canto e disse:" Pastor, está vendo aquela garota bonita? É a minha filha mais velha. Está fora da igreja e não quer saber mais nada de Jesus. Ela nasceu num lar cristão. Levei-a para a igreja quando era nenezinha e a apresentei ao Senhor. Cresceu na igreja, era ativa, mas um dia alguém a acusou injustamente. Ela nunca fez aquilo de que foi acusada. Mas o pastor não entendeu suas explicações e a disciplinaram. O pastor não dialogou com ela, não ouviu o que ela tinha pra dizer. Simplesmente a disciplinaram. Então ela disse: Pai, eu não fiz nada e me disciplinaram. Nunca vou perdoar esse pastor por ter feito isso comigo. Mas agora, já que fui disciplinada, vou fazer o que nunca fiz, pelo menos para que a disciplina seja justa".

"Então - disse aquele pai - minha filha começou a descer, descer, descer e não posso mais ver a minha filha machucando-se na vida. Ela tem feito coisas terríveis, mas eu sei que tudo isso é rancor e mágoa que ela guarda em seu coração. Pastor, por favor, fale com ela."

Tentei conversar, mas ela não quis ouvir muita coisa. Convidei-a para ir à igreja e ela apareceu lá, talvez por cortesia. Na hora do apelo a vi lutando e chorando sem poder responder ao apelo. O rancor e a mágoa eram muito grandes. Mas na sexta-feira, falei sobre o perdão e disse que a pessoa mais beneficiada com o perdão é a pessoa que perdoa, e não a perdoada. Olhando nos olhos dela, afirmei do púlpito: "Aquela pessoa que foi injusta com você não está mais aqui e nem sequer se lembra que você existe, mas de dia e de noite você está machucada e envenenada por aquele sentimento. O dia que você conseguir perdoar, finalmente se verá livre desse sentimento nocivo que não a deixa ser feliz.

E quando fiz o apelo, aquela garota se levantou e veio à frente, chorando. E suas lágrimas tiravam o lixo que guardava no coração. Por fim, podia dizer: Eu perdôo aquele homem. E o perdoou. E pediu para ser batizada novamente. Estava completamente livre da mágoa. O rancor saíra de seu coração. Era feliz.

Pergunto: Você já perdoou? Estou falando a alguém que não consegue perdoar o marido que a traiu, a mulher que o traiu, o pai que nunca o reconheceu como filho? Já perdoou o filho que jogou na lama o seu nome? O amigo que o traiu? É porventura o seu coração um depósito de lixo que só prejudica você?

O último pensamento do texto que quero analisar hoje é o resultado final da oração de Jesus. Ele orou pelos piores seres humanos que existiam, aqueles que O estavam matando e que não queriam saber nada com Ele. Você pensa que a oração de Jesus não foi respondida? Acompanhe-me esta noite a Jerusalém, 40 dias depois da morte de Jesus.

Pedro está pregando, e aqueles homens que crucificaram Jesus e que desde o ponto de vista humano nunca O aceitaram como Salvador, são tocados pelo Espírito Santo. A oração de Jesus na cruz por Seus inimigos é respondida. Ele orou por Seus inimigos e eles agora são transformados. Imagine aquele que colocou a coroa de espinhos na fronte de Jesus. Imagine-o correndo em direção a Pedro e dizendo:" Eu cravei a coroa na fronte de Jesus. Há perdão para mim?" E Pedro diz:" Arrependei-vos e batizai-vos e vossos pecados serão perdoados". Aquele que pregou as mãos de Jesus corre para Pedro e diz: Eu preguei as Suas mãos. Há perdão para mim? E Pedro diz: Se você está arrependido, há perdão. Aquele que cuspiu no rosto, corre e diz: Eu cuspi em Seu rosto. Há perdão para mim? E Pedro diz: Há sim, se você acreditar no poder salvador dEle. E naquele dia foram batizados 3 mil.

Quarenta dias antes estavam cuspindo em Seu rosto, pregando Suas mãos e Seus pés, insultando-O e xingando-O. Mas Jesus orou por eles e Deus respondeu à oração. Quarenta dias depois aqueles homens foram alcançados pelo evangelho salvador.

Estou pregando para alguém cujo marido ou esposa não quer saber nada de Jesus? Alguém cujo filho está se distanciando de Jesus? Tem você um amigo por quem já orou, orou, e ele continua indiferente com relação a Jesus? Continue orando. Ore pelos piores, ore por aqueles que na sua opinião não têm mais remédio. Se Deus respondeu à oração de Jesus, responderá a sua também e lhe entregará esse marido, essa mulher, esse filho, esse pai, esse amigo para Cristo. Ele o fará. Não perca o ânimo. Continue orando, continue suplicando, continue pedindo. Ele responderá a sua oração.

Minha mãe orou durante 34 anos pedindo que Deus transformasse o coração de meu Pai. Trinta e quatro anos orando por um homem que não queria saber nada de Jesus. E um dia, meu pai me escreveu um bilhete dizendo: "Filho, finalmente aceitei Jesus." E eu tive a alegria de batizar meu próprio pai.

Pergunto: Quanto tempo você está orando por seu filho? Quanto tempo você está orando para que Deus transforme o coração do seu marido? A minha mãe orou 34 anos. Há quanto tempo você está orando para que Deus transforme o coração daquele amigo?

Poderia você neste momento vir comigo à cruz do Calvário e dizer: "Senhor, foi por mim que entraste na agonia. Lá na cruz oraste por mim. Fui eu que te crucifiquei. Lá na cruz oraste por meu pai, por meu filho, por meu marido, por minha esposa. E se 40 dias depois 3 mil pessoas se entregaram a Ti, por que não podes transformar o coração daquela pessoa por quem estou orando?"

E se você sentir que na cruz do Calvário Jesus orou por você, se você quiser reconhecer a Jesus como seu Salvador, se quiser entregar-lhe a vida e aceitar a Palavra de Deus e o plano que Deus tem para a sua vida; se quiser unir-se um dia à Igreja de Deus nesta terra através do santo batismo, se quando Cristo voltar você quiser estar presente vou lhe pedir tome sua decisão agora.
ORAÇÃO

Querido Pai, há muita gente que abriu o coração a Ti esta manhã. Há muita gente que quer perdoar, que está orando por alguma pessoa especial e que precisa da Tua ajuda e de Teu poder. Por favor, vem e responde cada oração. Em nome de Jesus. Amém.